quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O Monstro do lago ''Less''

Velejava em águas calmas com pouca comida e meu remo
Um singelo barco velho era meu único apego
A vela toda remendada me levava de um lado pro outro
E o lago em que navegava, nomear como grande era pouco

Preso no próprio e incerto pensamento profundo
Percebi-me num momento pesado, carregado e imundo
Não me dei conta que a dona da vida me visitaria
No desapego desonesto e desumano que conheceria

Para que houvesse equilíbrio minha vela rasgou
E tudo aquilo que parecia ser azar se evidenciou
Esclarecendo o que tinha que pagar por seu eu
Foi então que meu único remo também se perdeu

Ali estava sem vento, nem vela, sem remo e sem ela
No meio do lago com piranhas e outros seres nocivos
Longe da margem no lago da vida correndo perigo
Com comida esgotada, bebida escassa e nada na barriga

Envelhecia no barco velho e via a vida passar
Recebia piranhas as vezes e via o tempo passar
A minha angústia era nunca ver a margem mudar de lugar
E nem uma corda eu tinha para tudo se terminar

Paguei com o tempo e a prisão do vento
Todo mal que fazia por velejar sem destino
Passando por vidas que encontrava no caminho
Causando dor, solidão e sofrimento

Agora escrevo na mente meu castigo
Decorei e rimei a essência da minha existência
Ainda que não posso chegar à insana demência
Tento pedir ao vento que apenas leve-a a um amigo.




sábado, 12 de dezembro de 2009

Identifique-se (A lenda Dylan)

It Ain't Me, Babe

Go 'way from my window,
Leave at your own chosen speed.
I'm not the one you want, babe,
I'm not the one you need.
You say you're lookin' for someone
Never weak but always strong,
To protect you an' defend you
Whether you are right or wrong,
Someone to open each and every door,
But it ain't me, babe,
No, no, no, it ain't me, babe,
It ain't me you're lookin' for, babe.

Go lightly from the ledge, babe,
Go lightly on the ground.
I'm not the one you want, babe,
I will only let you down.
You say you're lookin' for someone
Who will promise never to part,
Someone to close his eyes for you,
Someone to close his heart,
Someone who will die for you an' more,
But it ain't me, babe,
No, no, no, it ain't me, babe,
It ain't me you're lookin' for, babe.

Go melt back into the night, babe,
Everything inside is made of stone.
There's nothing in here moving
An' anyway I'm not alone.
You say you're looking for someone
Who'll pick you up each time you fall,
To gather flowers constantly
An' to come each time you call,
A lover for your life an' nothing more,
But it ain't me, babe,
No, no, no, it ain't me, babe,
It ain't me you're lookin' for, babe.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Conquistas

Ninguém disse que seria fácil, que o solo seria fértil e que seu cão seria dócil.
Ninguém disse que a noite seria serena, que a temperatura seria amena e que a vida seria plena.
Mas também ninguém disse que não.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Lição de casa

As pessoas saudáveis existem para mostrar que sou doente. As pessoas belas passam por mim para que eu veja o quanto sou feio. As pessoas ricas são ricas para me convencer de que sou pobre. As honestas servem para eu ver minha desonestidade. As pessoas boas estão por toda parte para me ter como alguém mau e as inteligentes existem para evidenciar minha ignorância. Mas só o fato de ter tirado uma lição de tudo isso já me torna alguém um pouco melhor.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Retrato falado

Uma pena, símbolo de lamentação
Um presente, símbolo de despedida
Uma cor que mora no peito amarelo
Dois olhares e uma única vida

E o tempo, cretino, exato,
metódico e asqueroso
Cruel, frio e paranóico
Ao mesmo tempo, generoso

O espaço dividiu-se em dois
Se enlaçou e passou a ser um
Dois sorrisos se abriram, pois
E não fecharam em momento algum

O corpo queimou-se por dentro
Seu peito sufocado ardia
E tudo que se dava por movimento
Era um par de pernas que tremia

O segredo permanece selado
Numa urna que não quer se abrir
O momento ficou registrado
E você pode voltar sem partir

domingo, 6 de dezembro de 2009

31 de Fevereiro

Não é verdade que alguém vai te encarar nos olhos e admitir não conseguir. Que vai surgir alguém por engano e abraçar a causa por um abraço. Jamais uma pessoa que nunca te viu na vida falaria das suas mais discretas qualidades. Ou ainda alguém que soletrasse o nome do seu perfume preferido. Ninguém apreciaria apenas o carinho de suas mãos ou acharia lindo tudo que estivesse vestindo. Não há pessoa que passaria por cima da culpa para o capricho próprio. Quem perguntaria onde tu andavas nessa vida toda? Quem se encantaria de repente com teu mesmo de sempre jeito de ser? Acorda.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Recado do centro

Olá, pra você que gosta de arte
Que lê muitos livros e vê filmes alternativos
Olá, babaca!

E você, que ouve música de qualidade
Que conhece os museus e teatros da sua cidade
Você que se preocupa com expressão e personalidade

Oi, idiota que faz mochilão rasgando continentes
Que faz coleta seletiva do lixo
Economiza água e se acha mais inteligente

Eu sou o povão

Que de domingo toca pagode e assiste Faustão
Que come churrasco grego na hora do almoço
Que ainda compra pote de azeitona com caroço

Eu sou o medíocre

Pra mim tanto faz ver pouco e ser míope
Eu gosto de falar alto e comer em cima da pia
Eu sempre fiz compras naquelas Casas Bahia

Eu sou a prole

Que chega ainda de madrugada no trabalho
E dorme nas pracinhas depois da refeição
Ou espera dar minha hora jogando baralho

Acho que você devia olhar mais pro lado
Ver que há mundo além da sua bolha
Vê se limpa esse nariz empinado
Se não no teu rabo enfio uma rolha



segunda-feira, 23 de novembro de 2009

No século errado

Houve um dia em que objetos tinham vida e valor
Tempos aqueles que tudo era feito para durar
Uma época que a calma era tão farta quanto a água
E as pessoas sabiam conversar

Dias que o cheiro do café se misturava com a manhã
E o som dos animais eram puros como o ar
A costura, o velho rádio, agulha e lã
O tradicional e belo retrato de um lar

O horários eram exatos em seus relógios de ponteiro
Os cumprimentos eram sempre de boa vontade
Um homem se valorizava por inteiro
E a mulher ponderava sua vaidade

A natureza era respeitada e assim sobrevivia
O rio era piscina, fonte de alimento e diversão
Gente que prezava a boa e velha harmonia
A boa e velha amarelinha riscada no chão

A violência era notícia escandalosa e chocante
Que acontecia vez em quando com raridade
A desonra era defeito e vergonha consabida
E não poupava sexo, classe ou idade

Agora é tudo muito grande, forte e descarado
É perigoso, sujo, desonesto e indecente
Mais violento, impessoal e inconsequente
Parece fácil apenas ver e ficar parado
E assistir ao tal sofrer em tanta gente.


domingo, 22 de novembro de 2009

Cabeças sobre cabeças

As pessoas não querem se apegar
Muito menos querem se envolver
Seus problemas são difíceis de lidar
E são todos tementes do sofrer

A causa disso tudo é...
Não sei se devo dizer
Seria como dar mel àbelha
Sem que faça por merecer

Melhor seria sem o dom da proteção
Abismos e picos fariam sua rotina
A aventura do viver de coração
De alma leve, livre e limpa

Suas fraquezas vem já cedo aparecendo
Acho estranho seu modo de evoluir
Enquanto somos puros desde o início
Humanos e humanos querem se diminuir

É sinal que algo está de fora
Num lugar que não deveria estar
Uma força está sendo mal usada
Ou simplesmente deixada de usar

Pense nisso e trabalhe bem por dentro
Jamais escolha o caminho do sofrer
Faça aquilo que te manda o coração
Que seu mel há de aparecer.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Outra paciência

Ganhei outra consciência
Vivi outra experiência
Sofri outra consequência
Presenciei outra demência
Criei outra sequência

Ganhei outra demência
Vivi outra consequência
Sofri outra consciência
Presenciei outra experiência
Criei outra sequência

Ganhei outra experiência
Vivi outra consciência
Sofri outra demência
Presenciei outra consequência
Criei outra sequência

Ganhei outra consequência
Vivi outra demência
Sofri outra experiência
Presenciei outra consciência
Criei outra sequência

Tens alguém assim

São olhos calmos gostosos de olhar
Cabelos disciplinados com cor de luz branca
Rugas contadoras de história, como tatuagens do tempo
Braços fortes, firmes por fora e por dentro
Uma vivência de uma vida inteira
Um marido, um amor, nenhum beijo
Sanidade. Até que ponto pode-se chamar?
Se falas mais com Deus e com o cão
do que com quem adentra seu lar?
Uma fonte renovável de Fé.
Imensa a ponto das ondas sonoras do rádio a pilha tornarem sua água benta, dentro de uma garrafa qualquer.
Essa é sua avó, sua mãe, sua tia ou qualquer outra mulher.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O Monge e o preguiçoso

To longe de pensar no que tá perto
Nem vejo o que acontece à minha volta
E o monge vem me contar o que é certo
Vem me falar da sua crença e se revolta

''Teu sossego é como a preguiça dos homens
Toda vez que algo tem que ser feito
A vontade, a coragem e a garra somem!
Por isso nosso mundo é longe do perfeito''

To certo de pensar no que tá longe
Só vejo o que acontece a sua volta
E o monge vem falar porque é monge
E contar do pouco caso que não me solta

''Tua calma é como a tranquilidade de todos
E quase sempre que algo acontece
A tarefa acaba sobrando pra poucos!
Por isso nosso mundo é cheio de defeitos''

To calmo de pensar muito à distância
Se o que me cerca já é muito e me incomoda
O tal do monge vem reclamar sua ânsia
E critica o mesmo homem que criou a roda

''Você já sabe o que eu penso sobre isso
Te falei em duas maneiras claras aí em cima
Vocês parecem que vivem sob um feitiço
E que raiva! Que ódio! Que Ira!''

To dizendo, esse monge ainda há de sofrer
Afinal, cada um faz aquilo que lhe cabe fazer
És humano como todos nós, filho santo de Deus!
A diferença é que meus costumes não são os seus.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Momento de inutilidade transcrita

Escrever é um hábito. Cebola é mau-hálito. O Sertão é árido. E tudo isso é valido. Até as rimas desse branquelo pálido.

''Painho, escuta só''

Ah, que sensação é essa da noite quente
No céu, uma clareira e a Lua cheia
Aqui uma sutil brisa, nova e paciente
O Velho permanece sentado

Só se vê a brasa, a fumaça do tabaco
Em volta, o baião, o balaio vazio
A saia rodando sobre o pé do sapato
A música canta e afasta o frio
Mas o Velho continua parado

Tem pinga e tem pão
Tem fogo e também pimentão
Aqui é acarajé, não chimarrão
Terra de forró, de seca do sertão
E o Velho só fica de lado

A sanfona chora apertada e esticada
Cangaceiro no meio canta, não toca nada
Tem um triângulo tinindo dengoso
E a zabumba marcando a entoada
O Velho, estava ainda calado

Um casal deixou de dançar
O Macho assentou e pediu a gelada
A Moça foi no Velho se engraçar
Que de tanto parado a deixou avexada
O Velho, ainda quietado
Tão surdo que era o coitado
Dançou sem nem poder escutar
E só parou de côco suado

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Deu vontade de escrever

No passeio em sua cintura, dei a volta ao mundo
E o seu perfume me levou a um lugar completo
Não sei se passou uma hora ou um segundo
E nem se o que eu sinto deixou de ser secreto
Continuei apenas flutuando...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Dois vocês

Caminhar só é reflexão
Andar só é solidão
Caminhar junto é aconchego
Andar junto é apego

Ver o dia passar só é egoísmo
Ver o ano passar só é o abismo
Ver o dia nascer junto é bom
Ver o ano nascer junto é um dom

Reportagens mostram o que eu não quero saber
Maquiagens escondem aquilo que não quero ver
Mas reportagens dão verdade
E maquiagens, vaidade

Viver só é complicado
Viver a dois é delicado
Viver com mais é suportável
Viver com muitos, não, muito obrigado

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

À mulher do pote de azeitonas

Um homem se apaixonaria facilmente pelos seus olhos. Seus finos braços delicados dariam todo afago que alguém podieria querer e seu riso tímido com covas evidentes é o convite mais irrecusável que alguém conseguiria ter. Você sabe bem como lidar com quem te quer. Vê se não ensina a mais nenhuma outra mulher, pois não quero no peito o caroço de uma qualquer.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Quinta-feira de Favela

Corre atrás do teu infortúnio porque tua sorte sumiu
Vai muleque magrelo, e devolve pra vida o que ela te deu
Faz as honras da pobre coitada que te pariu
E toma conta de tudo, mesmo daquilo que não é teu

Pisa firme com esse pé de pereba na valeta
O teu chinelo ficou preso lá no barro
Toma as moedas do velho de muleta
Passa no boteco e se engraça com um maço de cigarro

Vai muleque magrelo, e ignora a porra da pipa do céu
Tá cedo demais pra tua idade querer brincar
Teu pai não foi aquele que partiu?
Então vai e ensina teu mano mais novo a trabalhar

Tu gostas de música, eu sei
Tu gostas de samba, eu sei também
Tu deves gostar de mulher mais velha
Tens ,então, que procurar logo por alguém

Hoje é dia de polícia varrer o quintal
Pode esquecer a escola, merenda de bolinho
Inventa alguma coisa pra fazer sozinho
Ou vai no vizinho ver jogo de futebol

Vai muleque magrelo, que tua mãe vai cozinhar
Pegar a roupa, lavar pra depois secar e passar
Vai muleque magrelo e arruma o que fazer
Porque a tua sorte ainda te faz crescer




sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Livro sem título

Escreveria um livro sobre seu sorriso

A capa seria o seu olhar

O romance seria seu beijo

E seu rosto, o meu lugar

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Almas não Gêmeas

Você nasce.
Sem saber quem é e pra onde vai,
Você cresce.
Buscando o que te faz bem,
Você econtra.
E descobre que não nasceu pra quem,
Você chora.
E aprende que a busca continua,
Todo dia.
Você muda.
Pequenas coisas para existir o amor,
Você pondera.
E vê que existem vários fins,
E muito mais começos.
Outra vez, você nasce.
Pra quem?
Outro laço se faz.
Você se confunde no céu pensando,
E a alma?
Cada um tem a sua,
Pois as almas também se adaptam.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Gente que cocaína

Sua vida é uma rotina
Sua morte foi de chacina
Seu cabelo armado pra cima
Seu trabalho é vender cocaína

Uma vida é sua rotina
Mais uma morte em sua chacina
Seu cabelo pra baixo não rima
Mas seu trabalho é subir morro acima

Malandro
Par de chinelos
Mato com calango
Matte e cogumelos

Canelas finas nervudas
Um pouco acima a bermuda
Na cintura um ferro
Na garganta o berro

Ali na praia o arrastão
É peixe na rede, crime não
Água de coco depois do facão
E o malandro com ferro na mão

Sol quente, areia fina
Morro abaixo, morro acima
Morre embaixo, morre em cima
Gente que vende e compra rotina

terça-feira, 5 de maio de 2009

segunda-feira, 23 de março de 2009

Cinzas cinzas

Ontem, ao anoitecer, o céu estava cinza. Diferente de você que sempre foi branca, muitas vezes colorida e que com o tamanho da sua alegria, coloria o meu dia. Por mais que houvessem algodões sujos e sem sabor no céu, eu nem me lembro se os via. Só lembro da cor, do céu e daquele dia. Agora, as cinzas do que tínhamos me fazem olhar pro céu que as vezes é cinza. E sempre ofusca a cor e o brilho de qualquer sorriso ou alegria.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Meu dia, sua noite

Bom seria se alguém de lá dissesse como tudo fica quando sol se põe.

Solidariedade

Estende as mãos, mostra as veias dos punhos, contempla com um sorriso limpo e caridoso. Ainda vem com o brilho dos olhos e a contração de outros músculos para puxar. Usa a força excessiva de vontade, pois ela não pode esgotar e deve haver suficiente, pois a outra pessoa vai precisar. E aceitar.
Oferece-lhe ainda muito mais que dinheiro. Oferece-lhe ainda muito mais que comida. Da-lhe um novo gosto pela vida, o teu.
Tua recompensa correrá nas artérias dele e será vermelha como nunca fora antes. E vai ser fácil de ver e sentir o sangue pulsar mais forte, vivo.
Entende de uma vez por todas que não são apenas os médicos que salvam vidas. (15/09/08)

Um bom show de rock

Não posso despertar em mim certas vontades, pois sei que só vou saciá-las frente a uma tela, com tempo e distância incoerentes.

Um fio de cabelo

As pessoas têm nojo quando encontram cabelo na comida, mas nada declaram sobre sexo oral.