Um presente, símbolo de despedida
Uma cor que mora no peito amarelo
Dois olhares e uma única vida
E o tempo, cretino, exato,
metódico e asqueroso
Cruel, frio e paranóico
Ao mesmo tempo, generoso
O espaço dividiu-se em dois
Se enlaçou e passou a ser um
Dois sorrisos se abriram, pois
E não fecharam em momento algum
O corpo queimou-se por dentro
Seu peito sufocado ardia
E tudo que se dava por movimento
Era um par de pernas que tremia
O segredo permanece selado
Numa urna que não quer se abrir
O momento ficou registrado
E você pode voltar sem partir
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