No céu, uma clareira e a Lua cheia
Aqui uma sutil brisa, nova e paciente
O Velho permanece sentado
Só se vê a brasa, a fumaça do tabaco
Em volta, o baião, o balaio vazio
A saia rodando sobre o pé do sapato
A música canta e afasta o frio
Mas o Velho continua parado
Tem pinga e tem pão
Tem fogo e também pimentão
Aqui é acarajé, não chimarrão
Terra de forró, de seca do sertão
E o Velho só fica de lado
A sanfona chora apertada e esticada
Cangaceiro no meio canta, não toca nada
Tem um triângulo tinindo dengoso
E a zabumba marcando a entoada
O Velho, estava ainda calado
Um casal deixou de dançar
O Macho assentou e pediu a gelada
A Moça foi no Velho se engraçar
Que de tanto parado a deixou avexada
O Velho, ainda quietado
Tão surdo que era o coitado
Dançou sem nem poder escutar
E só parou de côco suado
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