segunda-feira, 5 de abril de 2010

Alguém no mundo dia 5 de abril de 2010

Hoje você acordou disposto a não brilhar
Mal comeu o pão e nem quis se banhar
A jardineira da janela estava encharcada
De tanta água que caiu do céu a noite toda
E você preferiu esperar amanhã

Com muito custo lavou um copo, mas o sujou novamente
Viu-se no espelho com uma expressão mórbida e deprimente
Viu no canto do chão do banheiro um punhado de veneno para ratos
Debochou da idéia e vestiu o único par de sapatos
E preferiu deixar pra amanhã

Sentiu a dor da claridade cinza nos olhos quase cerrados
E caminhou para a esquina quando se deu conta dos pés molhados
Xingou mentalmente o motorista sem educação
E como todo bom pedestre tomou a condução
Mas preferiu faze-lo amanhã

Desceu na estação seguinte e numa ligação largou o emprego
O trem pra casa estava mais para o trem do lar enterno
Pensou no que tinha até agora conquistado e no seu desapego
Olhou para os trilhos e ouviu a força do chamado inferno
E decidiu acabar com tudo naquela hora

Alguém por ali se fez triste por alguns minutos
Outros mais perturbados transmitiram um gesto de luto
Ouviu-se ainda um último cretino, fútil e frio comentário
De que você fez questão de ser covarde e ainda dar trabalho
E o que sobrou de você foi catado dos trilhos

Agora me diga como vive nessa luta eterna contra você
Ainda se achando inútil e incapaz de algo poder fazer
Como é se amarrar na lava flamejante e ferver com dor
Isso tudo porque em um dia quis ver o sol anoitecer
E tudo que te cerca agora é o oposto do amor

Um comentário:

Mari Gallego disse...

Rafa,

Aqui é a Mari, amiga da Cindy. Você já arranjou estágio? Estamos em um novo momento e eu gostaria que me mandasse novamente seu portifa, pode ser?

Meu e-mail é: mariana.g@md.com.br

Abraços e obrigada!