segunda-feira, 23 de novembro de 2009

No século errado

Houve um dia em que objetos tinham vida e valor
Tempos aqueles que tudo era feito para durar
Uma época que a calma era tão farta quanto a água
E as pessoas sabiam conversar

Dias que o cheiro do café se misturava com a manhã
E o som dos animais eram puros como o ar
A costura, o velho rádio, agulha e lã
O tradicional e belo retrato de um lar

O horários eram exatos em seus relógios de ponteiro
Os cumprimentos eram sempre de boa vontade
Um homem se valorizava por inteiro
E a mulher ponderava sua vaidade

A natureza era respeitada e assim sobrevivia
O rio era piscina, fonte de alimento e diversão
Gente que prezava a boa e velha harmonia
A boa e velha amarelinha riscada no chão

A violência era notícia escandalosa e chocante
Que acontecia vez em quando com raridade
A desonra era defeito e vergonha consabida
E não poupava sexo, classe ou idade

Agora é tudo muito grande, forte e descarado
É perigoso, sujo, desonesto e indecente
Mais violento, impessoal e inconsequente
Parece fácil apenas ver e ficar parado
E assistir ao tal sofrer em tanta gente.


Um comentário:

Unknown disse...

MUITO foda, Rafa!!]Você escreve coisas muito boas!! Vai ficar conhecido por isso um dia! hehe