segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Outra paciência

Ganhei outra consciência
Vivi outra experiência
Sofri outra consequência
Presenciei outra demência
Criei outra sequência

Ganhei outra demência
Vivi outra consequência
Sofri outra consciência
Presenciei outra experiência
Criei outra sequência

Ganhei outra experiência
Vivi outra consciência
Sofri outra demência
Presenciei outra consequência
Criei outra sequência

Ganhei outra consequência
Vivi outra demência
Sofri outra experiência
Presenciei outra consciência
Criei outra sequência

Tens alguém assim

São olhos calmos gostosos de olhar
Cabelos disciplinados com cor de luz branca
Rugas contadoras de história, como tatuagens do tempo
Braços fortes, firmes por fora e por dentro
Uma vivência de uma vida inteira
Um marido, um amor, nenhum beijo
Sanidade. Até que ponto pode-se chamar?
Se falas mais com Deus e com o cão
do que com quem adentra seu lar?
Uma fonte renovável de Fé.
Imensa a ponto das ondas sonoras do rádio a pilha tornarem sua água benta, dentro de uma garrafa qualquer.
Essa é sua avó, sua mãe, sua tia ou qualquer outra mulher.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O Monge e o preguiçoso

To longe de pensar no que tá perto
Nem vejo o que acontece à minha volta
E o monge vem me contar o que é certo
Vem me falar da sua crença e se revolta

''Teu sossego é como a preguiça dos homens
Toda vez que algo tem que ser feito
A vontade, a coragem e a garra somem!
Por isso nosso mundo é longe do perfeito''

To certo de pensar no que tá longe
Só vejo o que acontece a sua volta
E o monge vem falar porque é monge
E contar do pouco caso que não me solta

''Tua calma é como a tranquilidade de todos
E quase sempre que algo acontece
A tarefa acaba sobrando pra poucos!
Por isso nosso mundo é cheio de defeitos''

To calmo de pensar muito à distância
Se o que me cerca já é muito e me incomoda
O tal do monge vem reclamar sua ânsia
E critica o mesmo homem que criou a roda

''Você já sabe o que eu penso sobre isso
Te falei em duas maneiras claras aí em cima
Vocês parecem que vivem sob um feitiço
E que raiva! Que ódio! Que Ira!''

To dizendo, esse monge ainda há de sofrer
Afinal, cada um faz aquilo que lhe cabe fazer
És humano como todos nós, filho santo de Deus!
A diferença é que meus costumes não são os seus.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Momento de inutilidade transcrita

Escrever é um hábito. Cebola é mau-hálito. O Sertão é árido. E tudo isso é valido. Até as rimas desse branquelo pálido.

''Painho, escuta só''

Ah, que sensação é essa da noite quente
No céu, uma clareira e a Lua cheia
Aqui uma sutil brisa, nova e paciente
O Velho permanece sentado

Só se vê a brasa, a fumaça do tabaco
Em volta, o baião, o balaio vazio
A saia rodando sobre o pé do sapato
A música canta e afasta o frio
Mas o Velho continua parado

Tem pinga e tem pão
Tem fogo e também pimentão
Aqui é acarajé, não chimarrão
Terra de forró, de seca do sertão
E o Velho só fica de lado

A sanfona chora apertada e esticada
Cangaceiro no meio canta, não toca nada
Tem um triângulo tinindo dengoso
E a zabumba marcando a entoada
O Velho, estava ainda calado

Um casal deixou de dançar
O Macho assentou e pediu a gelada
A Moça foi no Velho se engraçar
Que de tanto parado a deixou avexada
O Velho, ainda quietado
Tão surdo que era o coitado
Dançou sem nem poder escutar
E só parou de côco suado