quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Maramargo

Hoje não é como imaginei quando criança
Não achava que chegaria aqui com tampouca lembrança
Memória de muito decerto foi esquecido
Para que a dor não se tornasse algo infinito, comprido. Acredito.

Agora suponho parte do passado
Desconfio, incerto de quem tive ao lado
Bati com a cabeça na parede de casa
Pra dor do amanhã ser, de certo modo, fraca

Ainda consigo apoiar no acaso
Como andar sobre gelo fino de lago raso
E deixo minha âncora fora do mar
Caminho fechado doce de rio não quero tomar

Dos gostos da vida, senti o amargo
E cada vez mais preciso saborea-lo
Entender a causa de tantos degraus
De como uns vivem tão bem e outros tão mal

Quero lembrar da mudança que fiz
Da amarga vida que pude adoçar
E fazer da memória algo feliz
Mesmo se for preciso ter que muito chorar