sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Eu celebro a vida

Eu quero escrever
Mas me falta motivos
Só escrevia quando triste
Quando corria perigo

Agora é tudo tão certo
E eu estou tranquilo
E quem vive por perto
Pode passar, eu não ligo

As cores mudaram
E o sol resolveu sair
Muitas águas rolaram
Por isso escrevo aqui

Agora é tudo tão claro
E eu estou feliz
Com esse brilho raro
Como eu sempre quis

Estou cantando o bem
Multiplicando tudo
O meu crime é cantar
Cantar e não ficar mudo


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Ousadia em sonho

Você, por favor, nunca mais use essa palavra
Nem tampouco se comporte como tal
E não dirija este verbete sem volante
Parece que se perdeu em instinto animal
Não finja que está se libertando
E nem visite meu sono pesado
Pois mais denso que viver te escutando
É desejar permanecer acordado.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Vai comprar talco

Tem paz pairando no ar do meu lar
Coloridos, desmontados
Fazendo do chão carnaval
Tem gargalhada pura com voz aguda
E pequenas roupas coloridas
Secando ao sol no varal
Tem penduricalho e chocalho
Em cima do berço amarelo-canário
E um terço dentro dum quarto
Junto da Santa que me ajuda

Deve ser coisa da idade

De dar flores não sinto saudade
Talvez porque não conheça quem as mereça
Ou talvez não saiba quem as deseja
Ou simplesmente perdi a vontade

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Venha me visitar

É um lugar com muros baixos e casas coloridas
Montanhas verdes cercando a cidade
As crianças pedalam nas ruas tranquilas
E os pedestres caminham porque têm vontade

As salas não usam TV
E a lenha que aquece o fogão
Os quartos têm enormes janelas
E por toda parte há brinquedos no chão

O Prefeito sorri mais que a Miss Universo
O Gari sorri mais que o Prefeito
O Açougueiro lá é apelido
O povo come só o que do solo veio

É uma cidade que chove e faz sol
E ninguém briga por causa de futebol
As pessoas são puras por dentro e por fora
E os parques são lindos de fauna e flora

O correio lá é serviço gratuito
E todo mundo diz bom dia, boa tarde e boa noite
Lá não existe papo de elevador
Mesmo porque o prédio mais alto é uma casa no monte

No inverno o topo do monte fica branco
E na primavera fica amarelo
O povo lá também muda de cor
No verão fica preto e no inverno, branquelo

É uma morada diferente daqui
Onde todos sabem bem o que lhes pertence
A ajuda não depende do sobrenome
Basta se ouvir um chamado de qualquer gente

É uma região que fica na minha cabeça
Um canto de passarinho no canto da cachola
Eu subi na árvore pra cantar minha cidade
Mas deixei em casa a minha viola