sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Recado do centro

Olá, pra você que gosta de arte
Que lê muitos livros e vê filmes alternativos
Olá, babaca!

E você, que ouve música de qualidade
Que conhece os museus e teatros da sua cidade
Você que se preocupa com expressão e personalidade

Oi, idiota que faz mochilão rasgando continentes
Que faz coleta seletiva do lixo
Economiza água e se acha mais inteligente

Eu sou o povão

Que de domingo toca pagode e assiste Faustão
Que come churrasco grego na hora do almoço
Que ainda compra pote de azeitona com caroço

Eu sou o medíocre

Pra mim tanto faz ver pouco e ser míope
Eu gosto de falar alto e comer em cima da pia
Eu sempre fiz compras naquelas Casas Bahia

Eu sou a prole

Que chega ainda de madrugada no trabalho
E dorme nas pracinhas depois da refeição
Ou espera dar minha hora jogando baralho

Acho que você devia olhar mais pro lado
Ver que há mundo além da sua bolha
Vê se limpa esse nariz empinado
Se não no teu rabo enfio uma rolha



segunda-feira, 23 de novembro de 2009

No século errado

Houve um dia em que objetos tinham vida e valor
Tempos aqueles que tudo era feito para durar
Uma época que a calma era tão farta quanto a água
E as pessoas sabiam conversar

Dias que o cheiro do café se misturava com a manhã
E o som dos animais eram puros como o ar
A costura, o velho rádio, agulha e lã
O tradicional e belo retrato de um lar

O horários eram exatos em seus relógios de ponteiro
Os cumprimentos eram sempre de boa vontade
Um homem se valorizava por inteiro
E a mulher ponderava sua vaidade

A natureza era respeitada e assim sobrevivia
O rio era piscina, fonte de alimento e diversão
Gente que prezava a boa e velha harmonia
A boa e velha amarelinha riscada no chão

A violência era notícia escandalosa e chocante
Que acontecia vez em quando com raridade
A desonra era defeito e vergonha consabida
E não poupava sexo, classe ou idade

Agora é tudo muito grande, forte e descarado
É perigoso, sujo, desonesto e indecente
Mais violento, impessoal e inconsequente
Parece fácil apenas ver e ficar parado
E assistir ao tal sofrer em tanta gente.


domingo, 22 de novembro de 2009

Cabeças sobre cabeças

As pessoas não querem se apegar
Muito menos querem se envolver
Seus problemas são difíceis de lidar
E são todos tementes do sofrer

A causa disso tudo é...
Não sei se devo dizer
Seria como dar mel àbelha
Sem que faça por merecer

Melhor seria sem o dom da proteção
Abismos e picos fariam sua rotina
A aventura do viver de coração
De alma leve, livre e limpa

Suas fraquezas vem já cedo aparecendo
Acho estranho seu modo de evoluir
Enquanto somos puros desde o início
Humanos e humanos querem se diminuir

É sinal que algo está de fora
Num lugar que não deveria estar
Uma força está sendo mal usada
Ou simplesmente deixada de usar

Pense nisso e trabalhe bem por dentro
Jamais escolha o caminho do sofrer
Faça aquilo que te manda o coração
Que seu mel há de aparecer.