sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Apague a luz ao sair

Da condição,
Se na mente há razão e emoção
Se das pernas vem o passo
Abertura de um abraço
E visão

Ouça bem 
Cheiro de cilada
Sinestesia, quem diria
Roubada

Todo mundo cai
Todo mundo toma um tombo
Se tá errado, se vai
E precisa de um ombro
E mais

Pode ser de fora
Alguém que foi embora
Traiu uma crença
Pode ser doença
Ou simplesmente não vigora

Então você vê sorte
Em você passa batido
Pensa mesmo que é forte
Parece o escolhido
Desconhece o inimigo

Vê o quanto é duro ver
Aquilo tudo perecer
E tanta gente padecer
Aquilo tudo indo
Tanta gente subindo

Então fica escuro, tem um muro
Nem tem pronde correr
Ninguém vai ver você morrer

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

Energia de hoje em dia

Muito bonito o que se vê
Já não sei se isso aqui é realmente você
Uma imagem me traz pronta a interpretação
Sei tudo da sua vida
Na palma da minha mão
Ilusão
O que me faz pensar
Este lugar onde viemos parar
Há tantos filtros e tantos “gostar”
Seus melhores momentos
Em um só lugar
É como correr na esteira, comer besteira
Vida sem sal, muita gente sem quintal
Cidade vertical
Cada toque ensaia o sorriso
Vazio, pra dentro, mental
Que nunca vem. E pra quem?
Já reparou?
Não é normal, é tudo igual!
O curioso é que chamam
De rede social
Vejo cada vez menos gente se entendendo
Cada vez menos gente se querendo
Me pergunto o que está acontecendo
Não acompanho
Um movimento e eu apanho
Tudo divido
Todo mundo iludido, perdido
Pra tudo existe opinião
Pra nada mais existe perdão
Pra onde estamos indo
Cadê você que vivia sorrindo
Off line, fora da timeline
Desconectado
Pensa comigo
Ninguém posta quando está na merda
E ninguém faz festa quando está na bosta
Só existe conteúdo se alguém gosta
E no fim tudo foi feito pra nada
E o tempo de verdade não se recupera
Já era
Não recarrega na tomada 

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Viva ou sobreviva

Viva na gentileza, na alegria, na caridade e na vontade em melhorar. Viva na generosidade e na intenção de ter o suficiente pra sobrar, e doar. Viva na gratidão e no perdão. Ou sobreviva e veja a vida passar.

sábado, 11 de novembro de 2023

Isso já foi escrito

De certo modo, tudo isso já foi dito
Nada de novo nas emoções
Tudo sempre existiu
Exceto aquilo que ainda não se viu
A graça da vida ainda não vivida
A herança de tanta sabedoria
Tudo num dia!
Mas e o frio na barriga?
Já falamos disso
Há quem diga
A graça da vida é a lanterna no capacete
Uma viagem só de ida
Uma caverna escura e profunda
Uma jornada onde se quer tudo
E quando acaba?
Não se sabe ao certo
Ninguém viu de perto
Eu também vou enlouquecer
Assim como você
Nesse mundo de anormais
Somos iguais 
Fogo no cais
E no fim do dia
Quem diria
O que me salva é a poesia

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Velho eu

Não vai passar vontade
Não vai andar sério
Não vai economizar no mercado
Não vai economizar palavrão não

Vai vestir roupa colorida
Sem nem combinar
Vai ter conforto
Sem ostentar
Vai ajudar quem puder
Sem diferenciar
Vai distribuir alegria
Sem deixar faltar

Não vejo a hora da minha hora chegar

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

7 dias

Hoje me lembrando que esqueci de quem eu era. Como uma floresta em chamas que sufoca uma fera e se sente ameaçada sem saída, sem ar e com ar de despedida.
Tive tempo de parar e parei sem hesitar porque não adianta ser veloz se a direção está errada, respira, muda a óptica e saia dessa trilha hipnótica. 

Tive tempo de pensar e pensei sem parar que o peso de cada dia não deixa leve uma vida e agora, o presente, é o último momento, que passou e foi embora, então respira, muda o jeito de tocar e saia dessa trilha sonora antes de acabar.

Se o passado foi pesado, apesar de esforçado, nada errado, olha mais à frente e menos para o lado.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

9 meses

Vem do vento forte o ventre novo
Tem da minha sorte a soma do povo
Chega calmo e puro com a graça luz divina
Cresce grão sagrado, minha vida ilumina

Olha com cuidado como é frágil esse ser
Não há de medir o amor que vai nascer
Ouve a nota rara que assina nosso tom
Surge bem agora o mais novo e belo dom

Uma alma chega para um corpo vestir
Anjos se alegram pelo bem que está por vir
É a esperança de uma vida bela e plena
Agora nessa calma tarde de cor serena

Deita sob a copa de sombra fresca e colorida
Vê a sua volta como tudo aqui tem vida
Mostra o caminho, me perdi quando cresci
Seja muito bem vinda, agora tenho você aqui

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Maramargo

Hoje não é como imaginei quando criança
Não achava que chegaria aqui com tampouca lembrança
Memória de muito decerto foi esquecido
Para que a dor não se tornasse algo infinito, comprido. Acredito.

Agora suponho parte do passado
Desconfio, incerto de quem tive ao lado
Bati com a cabeça na parede de casa
Pra dor do amanhã ser, de certo modo, fraca

Ainda consigo apoiar no acaso
Como andar sobre gelo fino de lago raso
E deixo minha âncora fora do mar
Caminho fechado doce de rio não quero tomar

Dos gostos da vida, senti o amargo
E cada vez mais preciso saborea-lo
Entender a causa de tantos degraus
De como uns vivem tão bem e outros tão mal

Quero lembrar da mudança que fiz
Da amarga vida que pude adoçar
E fazer da memória algo feliz
Mesmo se for preciso ter que muito chorar

quinta-feira, 31 de maio de 2012

sábado, 5 de maio de 2012

Carnal versus Espiritual

Simbólico, nostálgico, signo
Seu gesto, seu ato e íntimo
Guardado, segredo, contido

Vivido como se fosse morrer

Icônico de modo abstrato
Subjetivo e traduzido no tato
Ensaios e a descoberta no quinto ato

Envelhecido como se fosse nascer

Percebido, interpretado e lido
Aconteceu, se dará, um motivo
É possível escolher um caminho

Sabiamente desmedido como se fosse sofrer